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A luta antirracista é todo dia: Nota de Repúdio ao caso de racismo contra exposição na Câmara Federal

  • 20/11/2019


No dia 19/11/2019, às vésperas da celebração do Dia Nacional da Consciência, mais um caso de racismo aconteceu sem qualquer constrangimento. O deputado federal, Coronel Tadeu (PSL-SP), quebrou uma placa com uma ilustração do cartunista Carlos Latuff que mostrava um homem negro morto depois de ser baleado por um policial branco.

A arte faz parte da exposição “Trajetórias Negras e Brasileiras”, que homenageia personalidades negras brasileiras e pauta problemas sociais, com destaque para o genocídio racista no Brasil. A placa se encontrava no salão da Câmara, em Brasília.

O deputado federal, Daniel Silveira (PSL-RJ), já havia chamado a segurança da Casa e se queixado da obra. Ele também ficou conhecido por estar junto ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), num comício realizado na cidade de Petrópolis, em 2018, quando participaram da destruição de uma placa com o nome da vereadora carioca, Marielle Franco, executada em 14 de março de 2018.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) vem a público repudiar esse ataque racista dentro da institucionalidade, quando parlamentares deveriam utilizar o espaço de poder para representar os interesses do povo e lutar contra as desigualdades que assolam o país. Esse episódio demonstra que a luta antirracista deve ser feita cotidianamente, porque o avanço da violência não pode ser legitimado pelo silêncio ou banalização.

O Sindicato entende que a educação é um dos principais caminhos para interromper as desigualdades sociais e o racismo. Segundo o último Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 75% das vítimas de homicídio no Brasil em 2017 são negras.

Essa realidade precisa ser combatida. Essa política da morte não pode ser aceita, muito menos em espaços de representação. A tentativa de calar a denúncia só fortalece a luta e reafirma a importância da luta antirracista como responsabilidade ético-política, tendo em vista a urgência de reparação histórica no último país da América a abolir a escravidão.

Portanto, neste 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o Sind-UTE/MG segue, inarredável, na luta contra o racismo estrutural e contra todas as tentativas de silenciamento.

Hoje, e todos os dias do ano, diremos viva Marielle Franco! Viva Sueli Carneiro! Viva Djamila Ribeiro! Viva Zumbi! Viva Dandara! Viva Abdias Nascimento! Viva Conceição Evaristo!

 

Viva o povo negro!