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Programa Outras Palavras - Educação pública de qualidade social só é possível com a valorização dos educadores e educadoras

  • 21/10/2019


Roda de Conversa – É preciso reafirmar a importância da educação e lutar por ela todos os dias

Luta em defesa da educação e pela liberdade de ensino. Essa foi a pauta do programa Roda de Conversa do último dia 14/10/2019, realizado na semana em que é celebrado o Dia do Educador e da Educadora, em 15 de outubro.

Para debater sobre o assunto, estiveram presentes a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), a professora Denise Romano, e o professor Paulo Henrique Fonseca, diretor estadual.

Denise destacou que o momento de obscurantismo político, legitimado pelo governo Bolsonaro e pelo governador Zema, colocam a educação como inimiga interna. “É preciso que nós demarquemos para toda a comunidade escolar os motivos pelos quais somos perseguidas. Nós participamos do processo educativo de ensinar a leitura do mundo, portanto, a capacidade de intervenção também. O que eles querem é acabar com isso, a essência da educação.”

“O conservadorismo quer inibir o debate sobre cidadania que acontece em sala, porque é a partir disso que os estudantes desenvolvem o senso crítico, tomam consciência dos seus direitos e aprendem a se defenderem de abusos”, disse o professor Paulo.

Ele ainda falou sobre o ato contra a Lei da Mordaça, promovido por movimentos sindicais e estudantis, que aconteceu na porta da Câmara Municipal de Belo Horizonte, no último dia 11/10/2019. A bancada conservadora de vereadores tenta aprovar há mais de dois anos o Projeto de Lei 274/2017, que propõe a criminalização da docência, por meio da falaciosa neutralidade política, religiosa e de gênero.

Mesmo após 13 dias de resistência social na CMBH, o projeto foi aprovado no primeiro turno de votação, em 14/10/2019.

A jornalista do Brasil de Fato, Larissa Costa, falou da importância em questionar o nome do projeto. “Esse nome Escola Sem Partido é enganoso. Querem montar uma escola de um partido só, só com uma religião, que não acolhe a diversidade em sala de aula.”

Denise ainda convidou a todos e todas para uma reflexão: “Qual foi a posição desses vereadores e vereadoras em relação à Reforma da Previdência? Qual foi a posição deles e delas quando nosso direito a uma aposentadoria digna foi colocado em risco?”

Em entrevista ao programa Outras Palavras, o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e sócio honorário do Sind-UTE/MG, Miguel Arroyo, ressaltou que os/as educadores/as não são alvos de perseguições por motivos banais. “A educação é atacada porque a educação toma partido. Não pelos bancos ou pelo agronegócio. Mas pelos que tiveram seus direitos usurpados e esse ponto é importante. Nós tomamos partido pelos oprimidos.”

Com políticas privatistas em curso no governo federal e estadual, o professor Arroyo deixou uma reflexão. “Quando o único valor que rege a sociedade é o do mercado, tudo vira mercadoria. Nós viramos mercadora, a educação torna-se mercadoria.”


Sind-UTE/MG na luta pelos direitos dos servidores adoecidos e amparados pela LC 138/2016

Situação das servidoras e servidores adoecidos e amparados pela Lei Complementar 138/2016. Esse foi o tema que pautou a audiência pública da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa, no último dia 1/10/2019.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) compôs a mesa de debate e cobrou urgência para solucionar os casos.

Foi realizada a escuta dos profissionais da educação que aguardam uma avaliação das solicitações de aposentadoria por invalidez, por parte da Perícia Médica do Estado. Invertendo a dinâmica padrão de audiências, a deputada Beatriz Cerqueira, autora do requerimento para realização da atividade, colocou os trabalhadores e trabalhadoras para falarem primeiro e só depois as autoridades presentes se posicionaram.

“A importância de reuniões como essa é dar voz à classe trabalhadora que foi agredida pelo Estado. Estamos na luta por reparação”, disse a parlamentar.

Vários servidores e servidoras relataram casos de assédio moral na perícia médica do Estado, recusa na concessão de licenças e aumento nos casos de depressão.

diretor estadual do Sind-UTE/MG, Paulo Henrique Fonseca, para falar sobre a situação da educação e dos trabalhadores que atuam na área, citou o antropólogo Darcy Ribeiro. “Como diria Darcy, a crise na educação é um projeto no Brasil. E é esse projeto que está sendo implementado pelo governo Bolsonaro e pelo governador Zema, que superlota turmas, não apresenta propostas para pagamento do Piso Salarial e precariza a rede estadual de ensino. Nossa luta será contra esse projeto.”