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Palestra com presidenta da CUT/MG abre 1ª Conferência Estadual de Saúde das Mulheres de Minas Gerais

  • 13/07/2017


Beatriz Cerqueira fala sobre os impactos do golpe na vida das mulheres

A 1ª Conferência Estadual de Saúde das Mulheres de Minas Gerais, organizada pelo Conselho Estadual de Saúde (CESMG), começou nesta segunda-feira (10), no Minas Centro, em Belo Horizonte.

O evento, com o tema “Desafios para Equidade com Qualidade – Nenhum Direito a Menos”, dura três dias e reunirá cerca de 700 delegadas e delegados de todo o Estado para debater, votar e propor políticas públicas de saúde voltadas às mulheres. A 1ª CESMu é etapa da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, a se realizar em agosto em Brasília.

A palestra de abertura, com o tema “A situação atual do país e seus impactos na vida das mulheres”, foi realizada na tarde desta segunda-feira (10). As palestrantes foram Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG; Maria Alves, conselheira estadual de Saúde representantes de usuárias e usuários pela e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais e trabalhadora rural;  e Katia Souto, membro da Comissão Nacional Organizadora e de Relatoria da 2ª Conferência Nacional de Saúde da Mulher; ex- conselheira do Conselho Nacional de Saúde (2014/2016); ex- conselheira do Conselho Nacional LGBT (2011/2016). A coordenadora foi Lourdes Machado, conselheira estadual de saúde no segmento de trabalhadores representando o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais.

“Houve um golpe de Estado. Vivemos numa ruptura democrática, como aconteceu em outros países da América Latina. Retiraram uma mulher da Presidência e isso tem a ver com todas nós que estamos nesta sala. Foi um golpe de gênero. E fizeram isso para impor um novo Estado brasileiro. O povo brasileiro não votou como se desse um tiro no pé. Um projeto de um Estado menor não venceria. A população quer mais saúde, mais educação, mais segurança. O projeto veio por um golpe de Estado. E a primeira providência foi o congelamento de investimentos por 20 anos, com a PEC 55. A reforma da Previdência cumpre a mesma tarefa. A síntese é que não poderemos mais nos aposentar. A reforma trabalhista tem o mesmo propósito e vai rasgar a CLT. Nem a ditadura militar teve esta ousadia. Não haverá mais carteira de trabalho”, disse Beatriz Cerqueira.

“Além levar as reformas ao Congresso, os golpistas ressuscitaram um projeto do tempo de Fernando Henrique Cardoso e aprovaram a terceirização irrestrita. O outro Estado brasileiro, imposto por um governo que não tem legitimidade, está aprofundando o desemprego, a miséria e a fome no país. Foi para isso que a presidenta foi retirada do governo. É o futuro das próximas gerações que está em jogo. Os golpistas pretendem privatizar tudo.  O SUS acabará, pois o que propõem são os planos populares de saúde. Direitos para eles são mercadorias. Se não tem dinheiro, não tem saúde, não tem escola pública, não tem universidade. Quem deu o golpe quer abocanhar a maior parte dos recursos públicos. E a privatização atingirá os bancos públicos, que financiam a agricultura familiar, a casa própria. Vão privatizar a Petrobras, porque a descoberta do pré-sal nos colocou na roda do interesse internacional”, acrescentou a presidenta da CUT/MG.

Beatriz Cerqueira salientou: as mulheres serão as primeiras a pagar a conta com o projeto golpista. “Nós mulheres recebemos os menores salários, somos as primeiras a ser demitidas. A reforma trabalhista sinaliza que uma grávida poderá trabalhar num local insalubre. A reforma da Previdência também ataca as mulheres. O golpe foi de gênero. Vimos as agressões que Dilma sofreu. É um tempo de guerra. Nossa luta é de gênero, de classe, pela nossa dignidade e pela vida. Contra um governo ilegítimo que não pode continuar, pois depois não teremos como reverter a destruição das estruturas. Sejamos firmes. Nosso recado para todos é: lutem como mulher. E que a mulher tenha o direito de estar onde ela quiser. Este é o grande enfrentamento.”

Fonte: com informações de  Rogério Hilário e do CES/MG