Candidatos assinam Carta-compromisso com a educação pública

Postulantes ao Palácio Tiradentes assinaram o documento do Sind-UTE que estabelece responsabilidades com a educação pública, gratuita, democrática e de qualidade

Cinco dos onze candidatos ao governo de Minas Gerais assinaram a Carta-compromisso com a Educação Pública durante o Conselho Geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), realizado neste sábado (19), em Belo Horizonte. Embora todos os candidatos que postulam o Palácio Tiradentes tenham sido convidados a participar do ato, apenas as candidaturas do campo democrático e popular assinaram a Carta-compromisso: Patrus Ananias (PT), Rafael Duda (PSTU), Indira Xavier (Partido Unidade Popular – UP), Túlio César Dias Lopes (Partido Comunista Brasileiro – PCB) e Henrique Arias (Partido da Causa Operária – PCO).
O documento proposto pelo Sind-UTE/MG sintetiza uma série de pautas e reivindicações da categoria em defesa da escola pública, gratuita, democrática e de qualidade, em torno de seis eixos básicos: Organização Sindical, Educação Pública de Qualidade, Salário e Carreira, Ipsemg e Previdência Social, Condições de Trabalho e Saúde e Crise Climática.

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PISO INTEGRAL
O primeiro candidato a assinar a Carta foi Patrus Ananias (PT), que lembrou sua trajetória de compromisso com a educação, como vereador e prefeito de Belo Horizonte e também como advogado e professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG).
“Tenho destacado na campanha eleitoral algumas políticas fundamentais e a educação é a primeira delas. Vamos garantir às crianças e jovens empobrecidos, de famílias humildes e trabalhadoras a escola pública de qualidade, no melhor nível das mais caras escolas privadas. Que os jovens empobrecidos tenham os mesmos direitos das famílias mais sustentáveis”, defendeu.

Patrus disse ainda que seu eventual governo vai trabalhar com muita seriedade para retomar a dignidade salarial dos professores, professoras e demais trabalhadores e trabalhadoras na educação em Minas Gerais. “O MEC fixou o Piso em R$ 5.130,00 com base em uma jornada de 40 horas semanais. Aqui em Minas a jornada é de 24 horas. Eu penso que aquilo que é devido a 40 horas semanais também deve ser devido a 24 semanais, porque considero que o Magistério exige um processo de descanso físico, mental e psicológico e tempo de estudo, de boas leituras. As 16 horas restantes para se chegar às 40, são tempo para preparar boas aulas, tempo de estudo e diálogo com alunos”, argumentou.

PISO E RATEIO DO FUNDEB
A candidata Indira Xavier (UP) também lembrou dos diversos ataques sofridos pela educação em Minas Gerais e no País, com as investidas da extrema direita para criar a “Escola sem Partido”, sobre e reformulação da educação, os processos de militarização em Goiás e no Paraná e as tentativas em Minas Gerais. Ela também criticou o Novo Ensino Médio e defendeu a necessidade de sua revogação.
“Precisamos revogar o Novo Ensino Médio, mas, com alternativas de ensino técnico que façam sentido para os alunos, que sejam alternativa de formação e qualificação técnica e não seja mais do mesmo do contraturno. Precisamos valorizar os trabalhadores da educação, não só assegurando o Piso, mas também o rateio do Fundeb porque são estas medidas efetivas que vão combater as tentativas de militarizar e privatizar as nossas escolas”, acrescentou.

TAXAÇÃO DAS GRANDES FORTUNAS
Já o candidato Túlio Lopes (PCB), professor da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), recordou as lutas contra a privatização da universidade e disse que “a eleição é o momento de transformar luta em voto”.

Ele disse que a ênfase da sua candidatura é a pauta do serviço público porque o governo Zema/Simões colocou os servidores e servidoras do estado como inimigo público número 1. “Foram R$ 90 bilhões de isenção fiscal ao grande capital de 2019 a 2025. Nossa candidatura vem no sentido de apresentar o oposto: defender o serviço público, pautar uma nova política econômica para Minas Gerais, principalmente um novo modelo de mineração. Temos que debater a questão agrária, pautar junto com os movimentos populares uma reforma agrária profunda para que os superlucros advindos da terra sejam socializados pelo conjunto do trabalhador mineiro, criando o fundo social da mineração para as áreas da educação e da saúde pública”, disse ele reafirmando seu compromisso com a Carta do Sind-UTE.

LIVRE ACESSO À UNIVERSIDADE
O candidato do PCO, Henrique Áreas, comentou os pontos da Carta-compromisso e manifestou seu apoio integral ao documento do Sind-UTE/MG. Ele criticou o sucateamento da educação pública em Minas Gerais e as tentativas de municipalização, transferindo as escolas estaduais aos municípios. “Se o governo do estado não tem recursos, a situação dos municípios é muito pior”.
Henrique Áreas defendeu a gestão da escola públicas pelos próprios trabalhadores em educação e também fez críticas às mudanças que generalizam algumas disciplinas. “Os estudantes se formam sem uma base de conhecimento para a vida”.

Ele defendeu ainda o livre ingresso na universidade, com o fim do vestibular. “O vestibular é um filtro que serve para excluir”, criticou.

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