
Um único plano, entre os quatro, assume o compromisso com o Piso Salarial. Os outros três param na palavra “valorização”
Colocando lado a lado os planos de governo dos quatro candidatos mais bem posicionados nas pesquisas para o Governo de Minas Gerais, a diferença fica nítida. De um lado, a continuidade de um modelo cada vez mais empresarial para o Estado e para a educação. Do outro, o compromisso de reconstruir o papel do Estado como garantidor de direitos.
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Há uma palavra nos quatro documentos: valorização. Há um compromisso em um só: o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional. Quem escreve isso é Patrus Ananias, com todas as letras. É a única frase, entre as quatro propostas, que pode ser cobrada e conferida num contracheque.
Os outros três encontraram cada um o seu jeito de não dizer isso. Mateus Simões não trata do assunto: seu capítulo de educação tem cinco linhas de atuação e nenhuma fala de salário, carreira, vínculo ou concurso. Cleitinho promete um plano plurianual de carreira e concursos, mas atravessa uma página inteira sobre educação sem escrever a palavra piso e abre o plano com orçamento base zero, exigindo justificativa técnica periódica para cada gasto do Estado. Quando o salário de quem educa vira um gasto que se justifica de tempos em tempos, a carreira passa a ser variável de ajuste. Registre-se: recomposição salarial contínua e concursos periódicos existem no plano dele, mas para os profissionais da segurança pública. Para a educação, não. Alexandre Kalil afirma que não existe educação de qualidade sem professor valorizado. Mas na hora de dizer como, oferece uma política que “considera carreira, formação e condições de trabalho”.
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O piso não é detalhe e no plano de Patrus ele não vem sozinho. O documento registra que apenas cerca de 20% da categoria é efetiva em Minas e propõe o que decorre daí: nomear os aprovados nos concursos vigentes, realizar concursos regularmente e reduzir os contratos temporários. Piso, concurso e estabilidade formam um só compromisso nesse plano.
Na gestão das escolas, a divisão se repete. Patrus é o único que nomeia o Projeto Somar e o modelo cívico-militar e diz o que fará com eles: reestatização das escolas privatizadas e fim da militarização. Simões defende preservar a “diversidade de modelos pedagógicos” com escolha das famílias, que é a formulação eleitoral da continuidade. Cleitinho e Kalil não mencionam nenhum dos dois modelos e diante do que está em curso na rede mineira, não se pronunciar é, no mínimo, deixar como está.
A comparação mostra que a escolha não é apenas entre candidatos, mas entre projetos para a educação pública de Minas. Qual deles interromperá a política de assédio nas escolas e a injustiça salarial com as(os) profissionais da educação deste Estado? De um lado, um modelo que trata professoras(es) e funcionárias(os) como números e, quando chega a hora de falar em salário, muda de assunto. De outro, um Estado que investe na escola pública, paga o piso, realiza concursos e valoriza quem educa.
No quadro abaixo, o que cada plano diz ou cala sobre temas que interessam à categoria.
Como pensa cada candidato?
| Eixo central (tema) | Patrus Ananias (PT) | Cleitinho (Republicanos) | Alexandre Kalil (PDT) | Mateus Simões (PSD) |
| Gestão da escola · Privatização · Militarização | Reversão explícita: reestatização das escolas estaduais privatizadas e fim da militarização das escolas. | Silêncio: o eixo de educação não menciona parcerias privadas, gestão terceirizada nem escolas cívico-militares. | Silêncio: não trata de parcerias, privatização nem do modelo cívico-militar. |
Continuidade: propõe preservar a “diversidade de modelos pedagógicos”, assegurando às famílias a escolha. |
| Salário · Carreira · Concurso | Piso nacional, nomeação dos aprovados nos concursos vigentes, concursos regulares, saúde mental. Registra que os efetivos são ~20% da categoria. | Plano plurianual de carreira, concursos, redução da carga burocrática e saúde mental dos educadores. Não menciona o piso. | Reconhece a “precariedade prolongada de vínculos”, mas não propõe concurso nem piso. | Ausente. O capítulo não trata de salário, carreira, vínculo nem concurso. |
| Gestão democrática · Pressão por metas | Participação da comunidade escolar e das famílias; novo Plano Estadual de Educação e Conferência Estadual; eleição direta para as reitorias de UEMG e Unimontes. | Gestão por resultados e indicadores de desempenho para todas as secretarias. Não trata de eleição de diretores nem de colegiados. | Indicador não é finalidade: “nenhuma escola será reduzida a uma nota”. Não propõe eleição de diretores. | Não há proposta sobre conselhos, colegiados ou escolha de diretores. |
| Projeto de ensino · Tecnologia | Ensino médio integrado ao técnico; letramento midiático contra a desinformação; educação do campo e escolar indígena com currículo próprio. | Aulas de tecnologia, programação, robótica e IA na rede; tempo integral com currículo reformulado em educação financeira, empreendedorismo e cidadania. | Tecnologia como apoio: ferramenta para o professor, não substituição. | Modernização pedagógica, conectividade e recursos digitais como instrumento de personalização do ensino. |
| Violência e convivência escolar | Programa Estadual de Boa Convivência: mediação de conflitos, apoio psicossocial, integração com saúde, assistência e justiça. | Videomonitoramento integrado às forças de segurança, com protocolos de prevenção e resposta. | Equipes interdisciplinares com psicólogos e assistentes sociais, articuladas com saúde e assistência nos territórios vulneráveis. | Não tratado. |
| Ensino superior estadual | Financiamento, concursos, dedicação exclusiva, assistência estudantil, restaurantes universitários. | Previsibilidade orçamentária para UEMG e Unimontes expandirem ensino, pesquisa aplicada e formação docente no interior. | UEMG e Unimontes integradas a uma rede de cooperação com a educação básica e ao desenvolvimento regional. | Não tratado no capítulo de educação. |
Referências: ANANIAS, Patrus. Plano de governo. Coord. Sandra Goulart Almeida. Minas Gerais: PT, 2026, p. 6-12. · AZEVEDO, Cleitinho; FALCÃO, Luís Eduardo. O povo primeiro! Minas Gerais: Republicanos, 2026, p. 9. · KALIL, Alexandre. Plano de governo. Minas Gerais: PDT, 2026, cap. 4, p. 36-44. · SIMÕES, Mateus. Diretrizes de governo para Minas Gerais, 2027-2030. Minas Gerais: PSD, 2026, cap. 2.
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