Escola de Formação Flávia Saturnino: formação como práxis e compromisso de classe

O Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais nasce da convicção de que a história é construída por uma categoria consciente, organizada e em luta. São 47 anos traçando essa trajetória em defesa da escola pública e dos trabalhadores e trabalhadoras da educação em Minas Gerais. E a formação é parte fundamental desse caminho.
Receba notícias do Sind-UTE/MG no seu WhatsApp
Na luta sindical, a formação ganha outra dimensão: é no encontro entre teoria e prática, entre reflexão e ação, que construímos consciência e fortalecemos nossa organização, na perspectiva de transformar a sociedade e garantir vida digna a todos e a todas. No último sábado, dia 19 de setembro de 2026, aniversário do patrono da educação Paulo Freire, o Sind-UTE/MG celebrou a formatura dos cursistas da Escola de Formação Flávia Saturnino.
O processo de criação da Escola de Formação Flávia Saturnino expressa o compromisso do sindicato com a luta da classe trabalhadora. Foram quatro etapas, organizadas em oito grupos de regionais, atravessando diferentes territórios, culturas e histórias, envolvendo mais de 300 trabalhadores e trabalhadoras da educação das redes municipal e estadual.
Construída pelas instâncias de direção do Sind-UTE/MG, com a assessoria do Centro de Educação Popular Instituto Sedes Sapientiae (CEPIS), a Escola é um espaço de estudo, elaboração crítica e troca. A partir da educação popular, cada cursista é sujeito do seu processo de conhecimento. Cada encontro foi organizado previamente pela Comissão Político-Pedagógica, formada pela direção estadual da região e pelos coordenadores das subsedes envolvidas. Toda a turma se organizava nas equipes de mística, animação e disciplina, organização do espaço e registro, pois a educação popular também parte da noção de corresponsabilidade. Quando havia crianças, filhos e filhas dos cursistas, o espaço da Ciranda Infantil também era organizado, o que garantia a participação dos responsáveis e o acolhimento lúdico e político das nossas crianças.
A Escola se constitui, assim, como um processo formativo que se alimenta das experiências da nossa classe, das lutas e dos saberes de quem veio antes de nós, mas também dos desafios do nosso próprio tempo e das experiências construídas coletivamente por quem segue na luta.
A práxis, fundamental no sujeito militante, se fez profundamente presente na trajetória de Flávia Saturnino, homenageada que dá nome à nossa escola. Como disse Paulo Freire, é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, “de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”. Flávia entendeu isso muito bem. Abraçou a teoria e a luta e fez da militância uma prática cotidiana com coerência e dedicação. Falava pouco, fazia muito. E, no meio das ações de luta e no início de um novo processo de formação do sindicato, nos deixou. Mas deixou também suas sementes: naqueles e naquelas que caminharam ao seu lado, nas lutas que ajudou a construir e na compreensão de que aquilo que defendemos precisa ganhar vida naquilo que fazemos.
A Escola de Formação Flávia Saturnino foi feita por muitas mãos, muitos corações e muitas mentes. Foi memória, estudo, troca, reflexão e ação. Um processo que olha para a história que nos trouxe até aqui, mas, sobretudo, para aquilo que ainda precisamos construir.
E nos coloca diante de uma questão fundamental:
Qual organização e quais militantes precisamos neste momento da história?
Compartilhe nas redes:




