Docente mineira vence prêmio que inova educação pública

Projeto é promover um ensino de história de forma crítica, antirracista e intercultural, fortalecendo o respeito às diversidades religiosas, culturais e étnico-raciais

A docente Raíza Gomes Araújo de Paulo, de Contagem, apresentou no Conselho Nacional de Entidades, realizado em Brasília, nos dias 16 e 17 de abril de 2026, a atividade “Mitos, mitologias, religiões, diversidades: nossas vivências e territórios de memória”, vencedora da terceira edição do concurso “Juventude que Muda a Educação Pública” da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE).

Realizado em Contagem (MG), o projeto articulou escolas, famílias e a comunidade, incluindo visitas pedagógicas ao Quilombo dos Arturos, patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. “Mitos, Mitologias…” tem o objetivo de promover um ensino de história de forma crítica, antirracista e intercultural, fortalecendo o respeito às diversidades religiosas, culturais e étnico-raciais

NOVA PRÁTICA
“Eu acredito que apresentar aqui é importante para que a ideia cresça e floresça em outros lugares, que incentive outros sindicatos e outros professores, como a gente já começou a trocar contatos. Podemos criar novas práticas e uma rede de trocas de pessoas que estão dispostas a pensar uma educação que seja de fato diferente, libertadora”, disse Raíza na apresentação do projeto em Brasília.

O projeto “Mitos, mitologias, religiões, diversidades: nossas vivências e territórios de memória” atende diretamente 120 estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental e, indiretamente, famílias, comunidade escolar e moradores do Quilombo dos Arturos.

OBJETIVO
O objetivo central do projeto é promover um ensino de história de forma crítica, antirracista e intercultural, fortalecendo o respeito às diversidades religiosas, culturais e étnico-raciais. A partir das competências da BNCC e das Leis 10.639/03 e 11.645/08, busca combater a intolerância religiosa, valorizar a oralidade e os saberes ancestrais, ampliar a compreensão sobre diferentes cosmovisões e fortalecer o protagonismo estudantil. O projeto integra escola, família e comunidade, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, empáticos e comprometidos com a cidadania.

O projeto fundamenta-se na Pedagogia Freireana, entendendo a educação como prática de liberdade, diálogo e transformação social. Inspirado em Paulo Freire, considera que ‘a leitura do mundo precede a leitura da palavra’, reconhecendo os estudantes como sujeitos históricos e produtores de saberes. Ao trabalhar com mitologias africanas e indígenas, rompe-se com perspectivas eurocêntricas, valorizando oralidade, ancestralidade e narrativas até então marginalizadas.

Articula-se também à Educação em Direitos Humanos e às Leis 10.639/03 e 11.645/08, que orientam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. A experiência no Quilombo dos Arturos fortalece identidade, memória e pertencimento, articulando educação integral, território e aprendizagens significativas.

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