Governo de Minas retira R$ 412 milhões de escolas

Enquanto promove o sucateamento da educação pública reduzindo recursos, governo Matheus Simões entrega 95 escolas ao custo de R$ 22,3 milhões mensais a fundo bilionário da Faria Lima

Os ataques do governo estadual às escolas públicas de Minas Gerais seguem sem tréguas sob o governo de Matheus Simões, obedecendo à risca a diretriz de seu antecessor Romeu Zema, conforme demonstra o processo de sucateamento denunciado pelo portal Itatiaia. Ao mesmo tempo em que entrega 95 escolas públicas ao fundo do banco BTG Pactual, através de leilão, ao custo de R$ 22,3 milhões por mês, o governo de Minas reduz em R$ 412 milhões os recursos destinados ao Programa de Manutenção e Custeio das escolas.

Curiosamente, o Programa foi criado para garantir a compra de materiais didáticos, além de intervenções, reparos e manutenção dos prédios das escolas da rede estadual de ensino, mesmo papel a ser desempenhado pelo fundo que venceu o leilão das 95 escolas públicas.
Ou seja, retira recursos de escolas da rede pública regular, as mais necessitadas, e os entrega aos fundos bilionários da Faria Lima.

REDUÇÃO
Conforme a denúncia, sob a gestão do Governo de Minas Gerais, os recursos caíram 44% entre 2024 e 2025, passando de R$ 931,1 milhões para R$ 519,1 milhões.

Segundo a Itatiaia, o levantamento obtido pela reportagem via Lei de Acesso à Informação revela que do montante total destinado ao programa, a maior redução ocorreu nos recursos voltados à manutenção predial. A queda foi de 90,2% no período, recuando de R$ 218,3 milhões para R$ 21,3 milhões. O montante destinado ao custeio das unidades seguiu a mesma tendência, encolhendo 38% ao passar de R$ 705 milhões para R$ 436 milhões. O único aumento ocorreu na rubrica destinada à renovação de mobiliário e equipamentos, cujos recursos saltaram de R$ 7,9 milhões para R$ 62,3 milhões.

SUCATEAMENTO
Enquanto isso, as escolas, os estudantes e os professores padecem com as precárias condições e ambiente de trabalho e estudo, tanto no aspecto pedagógico quanto físico.
Professores ouvidos pela reportagem da Itatiaia relataram que a redução de recursos destinados ao caixa escolar, somada à burocracia para a liberação de verbas, tem comprometido o desenvolvimento de atividades pedagógicas e, em alguns casos, levado docentes a custearem materiais com recursos próprios.

Na Escola Estadual Professor Leon Renault, no bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, as salas de aula estão com tomadas sem caixinhas, com fiações expostas. Não há interruptores; em algumas salas, é preciso usar a chave geral para acender a luz. As janelas estão quebradas, assim como os basculantes.
Já na Escola Estadual Professor Morais, no bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste da capital, um docente descreveu situação semelhante. “A gente recebe doações de professores da rede particular”, disse.

Segundo as apurações da Itatiaia, as escolas Professor Leon Renault e Professor Morais não possuem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que atesta que um imóvel ou evento atende às normas de segurança contra incêndio e pânico.
Este é o retrato sem retoques da educação pública em Minas Gerais sob os governos de Romeu Zema e Matheus Simões.

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