Sind-UTE/MG divulga vencedores do Prêmio “Escola Viva é Escola sem Medo”

Iniciativa destaca projetos de combate à violência e incentivo à cultura da paz nas escolas públicas de Minas
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) vai agraciar os projetos que se classificaram entre os três primeiros colocados no Prêmio “Escola Viva é Escola sem Medo”. O Prêmio foi idealizado pelo sindicato e busca valorizar e dar visibilidade a experiências e iniciativas que reafirmam a defesa da escola pública, da gestão democrática, dos direitos humanos, da cultura de paz e do combate à violência nas escolas, além de políticas que garantam uma educação pública de qualidade. Os vencedores serão apresentados em cerimônia de premiação no dia 19 de setembro, a partir das 14h, no Hotel Dayrell, na Rua Espírito Santo, 901, em Belo Horizonte, durante o Conselho Geral do Sind-UTE/MG.
CLASSIFICADOS
O certame contou com a inscrição de 37 projetos de educadores de várias cidades de todo o Estado. Dentre eles, foi classificado em primeiro lugar o projeto “Educar para a equidade: reflexões e práticas sobre gênero”, coordenado pela professora Luciana Genavan, da Escola Municipal Arllete Bastos de Magalhães, de Juiz de Fora. Em segundo lugar ficou o “Projeto Mural do Desabafo”, da professora Sara Helena, da Escola Estadual Presidente Tancredo de Almeida Neves, de Cláudio. E em terceiro lugar se classificou o projeto “A Escola Veste-se de (Cor)agem”, coordenado pelo professor Perinaldo Teles Carvalho Filho, da Escola Estadual de Pedras de Maria da Cruz, de Pedras de Maria da Cruz.
EDUCAR PARA A EQUIDADE
O projeto “Educar para a equidade: reflexões e práticas sobre gênero”, coordenado por Luciana Genavan e desenvolvido na Escola Municipal Arllete Bastos de Magalhães, em Juiz de Fora, não surgiu de uma ação pontual. Ele integra um processo iniciado em 2024, com a criação e implementação da Comissão de Gênero da escola, constituída a partir da identificação de situações de desrespeito, discriminação e violência relacionadas às questões de gênero no cotidiano escolar.
A experiência acumulada desde 2024 permitiu compreender que as situações vivenciadas na escola não poderiam ser interpretadas apenas como conflitos individuais ou problemas disciplinares. Ofensas relacionadas ao gênero, deslegitimação da autoridade feminina, objetificação das mulheres, falas preconceituosas tratadas como “brincadeiras” e atitudes de desrespeito à diversidade revelaram a presença, no cotidiano escolar, de desigualdades historicamente construídas. Por essa razão, o projeto assumiu como princípio o enfrentamento das dimensões subjetiva, simbólica e estrutural da violência, reconhecendo que a escola é atravessada pelas contradições e desigualdades existentes na sociedade.
O enfrentamento da violência ocorreu prioritariamente por meio da educação, da formação, do diálogo, da escuta e da intervenção pedagógica. A atuação permanente da Comissão, a formação dos profissionais, a pesquisa diagnóstica e as atividades interdisciplinares realizadas com os estudantes contribuíram para inserir a discussão sobre gênero, diversidade, respeito e direitos humanos no cotidiano institucional e nas práticas curriculares.
O projeto também reafirmou a defesa da escola pública como espaço de formação cidadã e de garantia de direitos. As ações desenvolvidas partiram do entendimento de que cabe à escola promover condições para que todos os estudantes possam aprender e conviver em ambiente marcado pelo respeito à dignidade humana e às diferenças.
MURAL DO DESABAFO
O projeto “Mural do Desabafo”, coordenado pela professora Sara Helena, na Escola Estadual Presidente Tancredo de Almeida Neves, em Cláudio, teve início em fevereiro deste ano e tinha como principais objetivos tratar da saúde mental e da violência escolar, com foco na prevenção e diminuição da violência no contexto escolar.
A partir de diálogos, apresentação de música, filme e oficinas, em sala de aula, chamadas de “Hora do Alívio”, foram feitos debates e reflexões que por vezes não são possíveis ao cotidiano das disciplinas. Além disso, o projeto constatou que a realização dessas oficinas pelas pessoas que se dispuseram a participar do projeto tomaram um novo sentido, que versava sobre a formação humana dos estudantes, desfocando da necessidade e rigidez dos currículos escolares.
Também foram realizadas conversas individuais, de acordo com as demandas dos próprios estudantes, com a escrita e depósito dos seus bilhetes no cantinho do “Mural do Desabafo”.
O projeto demonstrou a necessidade de compreender que alguns estudantes nem sempre estão acostumados a falar sobre o que sentem, mas se tiverem a oportunidade de conversar com alguém que lhes dê abertura e uma escuta atenta, eles desabafam e ouvem perspectivas que os ajudam a ressignificar situações e pensamentos e a partir daí conseguem determinar um novo sentido ou rota.
A percepção acerca da violência escolar dentro do projeto está nos debates sobre as formas de violência e no acolhimento dos estudantes indisciplinados, buscando sua sensibilização, a fim de que tentassem encontrar formas de melhorar sua convivência junto aos outros dentro e fora do contexto escolar.
A ESCOLA VESTE-SE DE CORAGEM
O ponto de partida do projeto “A Escola Veste-se de (Cor)agem”, coordenado pelo professor Perinaldo Teles, é a constatação de que o município de Pedras de Maria da Cruz é um dos que possuem os menores indicadores de renda no Estado e, em decorrência disso, a população vivencia, de forma concreta, as dores da vulnerabilidade social. Um dos traços dessa desigualdade manifesta-se também no cotidiano escolar, marcado por violências e ausências. Percebe-se que parte dos alunos e das alunas sequer tem garantidos cuidados básicos e desconhece limites atitudinais, fato que pode estar associado à negligência familiar ou à invisibilidade diante de políticas públicas que poderiam dignificar a população, sobretudo aquela que mais necessita.
Diante desse contexto, o projeto “A escola veste-se de (cor)agem” objetivou a análise e o debate acerca da violência vivenciada na escola e em seu entorno, a identificação da negligência e das violências do Estado em detrimento de nossas vidas, bem como estimular a ação individual em prol de causas coletivas. Concomitantemente a isso,
busca fomentar o acesso a bens culturais, quase inexistentes na cidade, e fortalecer a consciência para a transformação da realidade. Inspirado em nossa vivência local, nas memórias e na História do Brasil, o projeto culminou na criação, por meio da prática artística do bordado livre, de um vestido que materializou os impactos do medo no espaço escolar e em seu entorno, alertando-nos para a força do coletivo no combate à violência e às desigualdades e na luta pela garantia dos Direitos Humanos.
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