Ameaça de fechamento da E. E. Alberto Giovanni em Fabriciano é lamentável, diz professor

Com bons índices no IDEB, ensino integral e profissionalizante, escola é referência histórica, mas está ameaçada pelo governo

A Escola Estadual Alberto Giovannini, em Coronel Fabriciano, é uma das 30 unidades do ensino público regular de Minas Gerais ameaçada de ser fechada pelo governo estadual e ter seu patrimônio entregue ao Colégio Tiradentes da Polícia Militar.
Em Coronel Fabriciano assim como em grande parte dos municípios e comunidades onde o governo anunciou a medida, a apreensão e as incertezas tomam conta de estudantes e professores que ainda não sabem as consequências da proposta.

Os anúncios do governador Matheus Simões têm sido feitos durante atos de campanha eleitoral disfarçados no programa “Praça de Serviços – Governo Presente”, quando transfere simbólica e provisoriamente a capital do Estado para cidades mineiras. Nestes eventos o governador e candidato à reeleição também costuma divulgar milhões de reais em pacotes de obras, serviços e outras benesses que desaparecem tão logo a “capital do Estado” volta ao seu lugar natural.

ALBERTO GIOVANNINI
Em Coronel Fabriciano, a E. E. Alberto Giovannini, uma das mais tradicionais da cidade, atende a 266 estudantes do ensino médio, em tempo integral, com formação propedêutica e cursos profissionalizantes de Desenvolvimento de Sistemas, Informática, Química e Segurança do Trabalho. Os Colégios Tiradentes, que mantém regime disciplinar compatível com preparo para o ingresso na carreira militar e são destinados a dependentes de Policiais Militares e Bombeiros Militares, não têm cursos profissionalizantes nem ensino em tempo integral.

A “Alberto Giovannini” tem ainda professores de ensino especializado e de apoio para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodivergentes.

LAMENTÁVEL
O professor de Física Aganoel Gomes Cavalcante é uma das vozes dissonantes quanto à proposta do governo do Estado. “A proposta é lamentável, uma vez que desconsidera toda a história e o trabalho que vem sendo feito na Escola Estadual Alberto Giovannini ao longo de mais de 60 anos”.

Aganoel elenca as conquistas obtidas pela escola em vários aspectos, entre eles, o pedagógico, para sustentar sua posição: “O melhor IDEB das escolas estaduais de Coronel Fabriciano é nosso, o que mostra o excelente trabalho que vem sendo realizado pelos profissionais e o empenho e dedicação de nossos estudantes. A base do integral é o protagonismo estudantil e foram tirando isso de nossos estudantes no momento que uma notícia dessas circula em uma página de humor da cidade, sem diálogo com a gestão, os professores, os estudantes e a comunidade escolar”, salienta.

Segundo ele a comunidade escolar tem reagido com apreensão ao anúncio de mudança feito pelo governo. “Querem a escola pública estadual que já conhecem e que é uma referência para a cidade”, afirma.

SEM RUMO
Aganoel Cavalcante, como a maioria dos integrantes da comunidade escolar, ainda não tem qualquer informação oficial para a situação e suas consequências. Indagado sobre as eventuais implicações da proposta do governo de transformar a E. E. Alberto Giovannini em Colégio Tiradentes, responde: “Não sabemos! Não houve diálogo, explicação, conversa ou documentos. O que sabemos é o que todo mundo sabe através dos canais de notícia, desrespeitando o nosso trabalho.

Cursos como Segurança do Trabalho e Química que possuem laboratório específico podem ser encerrados porque não vão encontrar outra escola com esses laboratórios próximos à localidade de nossos estudantes, por exemplo. O momento é de muita tristeza e de muitos questionamentos sem resposta”, finaliza.

Mãe solo de filho autista critica fechamento da escola

Para Jaqueline Cândida Bandeira, mãe solo de dois filhos em idade escolar, um deles estudante da E. E. Alberto Giovannini, a proposta do governo não é nada boa. Ela ressalta que não é contra o Colégio Tiradentes, mas não admite o fechamento da escola estadual. Ela diz ainda que o filho que estuda na escola é autista e precisa de atenção especial. Jaqueline conta que mora no bairro Bom Jesus, perto da escola, o que facilita as idas e vindas e a presença próximo ao filho quando ocorre algum transtorno.

“Queremos que a lei seja cumprida, queremos justiça e queremos amparo para nossos filhos. Se tem a lei, queremos que ela seja cumprida. Vou lutar e reunir quem for preciso, convidar todas a mães que tem filhos no Giovannini para lutar para não fechar a escola”, diz ela.
Recentemente, Coronel Fabriciano viveu uma grande polêmica com o fechamento do Colégio Angélica, um imponente prédio neoclássico no centro da cidade, que durante muitos anos foi uma das mais tradicionais escolas do município. Gerido pelas irmãs maristas, o Colégio foi fechado e seu imóvel adquirido pelo supermercado Coelho Diniz. A ameaça de demolição do prédio, que é um patrimônio histórico, mobilizou a população.

Jaqueline sugere que o antigo Colégio Angélica seja transformado em Colégio Tiradentes e que deixem a Escola Alberto Giovannini em paz. “Lá sempre foi uma escola e tem tudo para ser um bom Colégio Tiradentes, tem salas de aula, estacionamento…”, aponta.

Ela também questiona o destino dos estudantes e principalmente daqueles que tem necessidades especiais, como o seu filho. “Para onde eles vão levar estas crianças. Na Giovannini eles tem professores preparados, professores de apoio. Não faz sentido fecharem a escola”.

Ela conclama pais, responsáveis e toda a comunidade fabricianense a se unir para garantir a continuidade da E.E Alberto Giovannini: “Você que é pai, você que é mãe, que tem filho autista ou que não tem. Você que tem filho adolescente na Escola Giovannini e que é contra o seu fechamento, vamos lutar. Convido você a se juntar a nós, a falar o que sente e o que pensa. Vamos procurar a lei e a justiça. Temos que lutar pelo direito para nossos filhos porque é o futuro deles que está em jogo”, convoca.

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