A Campanha Salarial 2026 nasce da realidade concreta vivida diariamente pelos trabalhadores e trabalhadoras da educação em Minas Gerais. Depois de anos de desvalorização, retirada de direitos e precarização do trabalho, é tempo de afirmar com clareza: a educação pública não é gasto, é investimento, e quem a sustenta precisa ser valorizado.
Desde 2019, o governo estadual deixou de cumprir a política remuneratória da categoria, acumulando perdas salariais que hoje chegam a 41,83%. Isso significa que, a cada ano, educadores e educadoras deixam de receber o equivalente a mais de quatro salários, comprometendo sua subsistência, sua saúde e a qualidade do trabalho desenvolvido nas escolas.
Os números escancaram essa injustiça. Um(a) professor(a) PEB ou especialista deixa de receber até R$ 1.221,74 por mês. No caso das ASBs, a perda mensal chega a R$ 382,77. Em cargos de jornada ampliada, como ANE/IE de 40 horas, a diferença ultrapassa R$ 3 mil mensais entre o salário que deveria ser pago por lei e o valor efetivamente recebido. A cada R$ 1.000 devidos, o governo deixa de pagar mais de R$ 400 aos trabalhadores da educação.
Enquanto isso, o discurso da falta de recursos não se sustenta. O Estado possui R$ 4 bilhões em caixa disponíveis para livre utilização, deixou de aplicar R$ 5 bilhões no mínimo constitucional da Educação e abriu mão de R$ 99 bilhões em arrecadação ao conceder isenções fiscais a grandes empresas. Dinheiro existe. O que falta é vontade política.
Diante desse cenário, a Campanha Salarial 2026 reafirma a importância da organização coletiva e da mobilização em cada local de trabalho. É na escola que a resistência se constrói, que a indignação se transforma em ação e que a unidade da categoria ganha força. Nossa luta é por recomposição salarial, valorização profissional, condições dignas de trabalho e pela defesa da escola pública, democrática e socialmente referenciada.















